Nós para Canionismo

Nós de amarra no Canionismo
Carlos Roberto Alcântara de Rezende


Os Nós de amarra possibilitam fazer alças, blocagens, ligam pontas de cordas e compõem
a montagem de diversos sistemas no canionismo. Sem eles, as cordas não teriam utilidade e não seria possível descer um cânion esportivamente.

Cada Nó tem uma forma única e um nome que lhe dá identidade. Nos estudos sobre esse tema utiliza-se a taxionomia de Ashley, com 3854 voltas e Nós, referenciados internacionalmente como Abok #nnnn.

Uma terminologia única facilitaria a comunicação, mas as denominações são muitas e até
mais de uma no mesmo País. É assim que no Brasil o Nó Dinâmico é também conhecido
como UIAA, Demi Cabestan, Meia volta do Fiel e Munter. Modificar isso não seria fácil, mas, enfim, os canionistas precisam se comunicar.

Alguns Nós são identificados pelo nome de quem foi precursor de uma determinada aplicação.

Os Nós Machard e Prusik já constavam na taxionomia de Ashley, respectivamente Abok #1662 e Abok #1663, antes de se tornarem uteis na escalada, por
iniciativa e criação do austríaco Karl Prusik e do francês Sergé Machard. Noutro exemplo, o
guia e escalador suíço Werner Munter foi homenageado na denominação do Munter Hitch
(Abok #1195). A versão “super” deste Nó, com uma volta a mais, é uma boa opção para debrear com mais atrito.

Outro critério de denominação é geográfico. O nome Valdotain, por exemplo, tem referência no dialeto Valdostano, falado em uma região ao norte da Itália, divisa com a França. O termo Valdôtain deve-se à influência francesa. Outra denominação com esse critério é a do Nó Bellunese, inspirada em uma região montanhosa na Itália.
A origem do nome Aselha tem referência na palavra asa. Escrita com “z”, significa enguiço,
desastrado, nada bom para os esportes de aventura. Já os Nós Pescador Duplo, Meio
Pescador Duplo de Longe, Pescador de Arremate, com suas variações simples e triplo,
têm uma forma peculiar de cruzamento em torno da corda, denominada internacionalmente
como “Fisherman”, possivelmente em razão das primeiras aplicações.

O canionista deve escolher criteriosamente os Nós para cada situação e é preciso
treinamento para fazer bem.

Embora a descida de cânion seja sempre um treino, não é
suficiente e nem o momento para aprender Nós – é aconselhável treinar no dia a dia. Manter um pedaço de corda à mão em casa, no carro, no trabalho, pode ser a oportunidade de
praticar e ao mesmo tempo distrair.

Para fazer o Nó corretamente, recomenda-se que não haja cruzamentos, senão os previstos
na configuração da estrutura. Durante o ajuste, cada seção saliente ou folga deve ser
removida. As sobras de ponta de corda devem ser suficientes para esse ajuste e para
compensar um eventual deslizamento, muito comum quando o Nó é fortemente
tensionado

Seguem alguns Nós selecionados no Manual Técnico de Canionismo, publicado pela
Federação Francesa de Espeleologia/Escola Francesa de Canionismo, em 2019

Observação: Na ausência de uma nomenclatura oficial, as denominações dos Nós acima representam a tentativa de utilização de termos conhecidos pelos canionistas no Brasil.

As funcionalidades e os aspectos mais precisos da execução dos Nós devem ser aprendidos em cursos técnicos, tendo em vista que a aplicação ocorre em atividade de risco. Seguem breves considerações.

O Aselha de Expansão é suficientemente estável para a junção de cordas no recolhimento e até mesmo em descensos, desde que bem ajustado em todas as direções, puxando forte cada ponta de corda e deixando a sobra maior que trinta centímetros. O Pescador Duplo não é adequado para essa função, porque pode travar nas rochas durante o recolhimento. Em alguns casos, é recomendável a execução de um Nó Aselha de arremate, especialmente no caso de cordas mais deslizantes, como as cordas novas, por exemplo. Ainda sobre o Aselha de Expansão, a utilização para entalamento não é recomendada, porque pode travar dentro do elo de ancoragem ou mesmo se desfazer. Nesse caso, a melhor opção é o Oito Duplo ou o Nove, trançados em um mosquetão, porém apenas nos sistemas em que o entalamento não se encontra em oposição à corda de descida, como por exemplo no rapel guiado (Preferred knots for use in canyons, elaborado por David Drohan, 2001).

É possível utilizar fitas unidas com Nó, mas o Nó de Fita é relativamente difícil de fazer e ajustar com efetividade. Além disso, a variedade de fitas disponíveis para uso nos esportes de aventura demanda maior cuidado na escolha. Por isso, os anéis originalmente fechados pelo fabricante são os preferidos pelos praticantes. Nesse universo, as fitas de dyneema destacam-se pela leveza e resistência, inclusive ao calor por atrito.

O Aselha Ponta de Corda (triplo) é recomendado nas situações em que o armador não visualiza o comprimento lançado. O primeiro a descer orienta a correção de eventuais excessos ou falta de corda, por meio da comunicação sonora. Após o ajuste, o Nó é desfeito para o descenso do próximo canionista. Esse Nó serve também para evitar o escape do canionista em um rapel fracionado. A vantagem é que o peso das alças, além de facilitar o lançamento, pressiona o ajuste do Nó, ainda mais quando debaixo de água corrente, diferentemente do Nove e outros que tendem a se desfazer quando pressionados pela água. O Oito Duplo, às vezes utilizado nessa função, pode ainda vazar no freio, especialmente em cordas com nove milímetros de diâmetro.

O Prussik é o Nó blocante mais antigo nos esportes de aventura e o mais efetivo para travamento. É ótimo para a fixação de protetores de corda no canionismo, porém, o Machard (com variações) e o Valdotain são mais utilizados, porque afrouxam com mais facilidade depois de forte tensão.
A parceria dos Nós com as cordas, no entanto, tem inconvenientes. A alma da corda perde qualidade quando dobrada no mesmo ponto por longos períodos, sendo aconselhável que os Nós sejam desfeitos após o uso. Há também um impacto significativo na resistência das cordas. O fato é que o rompimento por carga em uma corda íntegra ocorre na estrutura do Nó, mais exatamente na curva de entrada. Há relatos de acidentes nos esportes de aventura, dentre os quais, o ocorrido com Dan Osman, considerado um dos criadores do “Rope Jump”. Morreu em 1998, aos 35 anos de idade, após a sua corda de segurança romper na estrutura do Nó, enquanto executava o salto de uma altura superior a 300 metros.

Essa perda de resistência varia entre os Nós, sendo mais expressiva em Nós com curvas mais agudas e concentração de carga em um ponto da estrutura. Em alguns, a curva principal pressiona e se mistura com a própria alça de ancoragem, com impacto ainda maior, como acontece no Boca de Lobo e Volta do Fiel. Existem pesquisas sobre esse tema e valores de referência publicados, entretanto, com percentuais divergentes, principalmente pela variação do tipo e das condições das cordas utilizadas nos testes. Todavia, é possível considerar que os Nós mais utilizados no canionismo impactam em média 30% na resistência das cordas.
Cabe considerar também que as cordas e fitas são submetidas à deterioração mecânica e a eventuais fatores de queda, perdendo continuamente a qualidade e ampliando significativamente esses percentuais de perda de resistência. Apesar disso, são justamente as cordas antigas, as mais utilizadas nas montagens de laços de backup em chapeletas, até com pouca sobra de ponta de corda nos Nós, justamente onde podem ocorrer expressivos fatores de queda.
Na conclusão deste texto, segue uma tabela do comprimento de corda utilizado em alguns Nós.

Os canionistas mais experientes desenvolvem a percepção imediata desse comprimento, o que evita retrabalho e demora na hora de fazer o Nó. Com o tempo, pode-se aprender memorizando a imagem da corda e/ou comparando com a largura dos próprios ombros, antibraço ou palmo. Para facilitar, seguem alguns valores aproximados de referência, considerando a necessária sobra maior que 30 centímetros para os Aselhas de Expansão:

Consumo médio de corda para confecção dos nós

Apoio Técnico: Staff Monitores Auxiliates GBCan
Revisão: Luiz Lo Sardo Neto
.

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Saltos no Canionismo

Autor:

Carlos Roberto Alcântara de Rezende

O canionismo tem suas origens no final do século dezenove com o Édouard Alfred Martel, considerado o pai da espeleologia. Nas expedições, os cânions se misturavam às cavernas, demandando técnicas diferenciadas que moldaram o canionismo, à época, chamado “espeleologia a céu aberto”. A partir de então, a espeleologia se desenvolveu com a prática continuada, e mais expressivamente com criação da Federação Francesa de Espeleologia (FFS), em 1963. Os cânions continuaram a ser desafiados pelos espeleólogos, mas foi somente na década de oitenta que o volume de descidas aumentou significativamente, inclusive com o registro das explorações, facilitando a aventura para outros, que conheceriam antecipadamente o trajeto e as condições dos cânions. Desde então, o canionismo se desenvolveu como modalidade, com eventos, normatizações, publicações e cursos, a partir de organizações próprias, dentre as quais, a Escola Francesa de Canionismo, que atualmente funciona como um Departamento na FFS (site do Grupo Brasileiro de Canionismo – GBCAN, 2020).

Dentre as técnicas desenvolvidas por esses desbravadores históricos, destaca-se o salto, como um momento fascinante para muitos canionistas. O prazer de saltar, no entanto, envolve riscos. Uma entrada em posição incorreta pode levar à compressão dos discos lombares, fraturas, sobrecarga cervical e lesão nos ombros. Portanto, além da execução correta dos gestos técnicos, a vestimenta de neoprene, botas e o capacete complementam a segurança. Além disso, há sempre a opção obrigatória de descer em cordas ou desescalando, até porque, alguém tem que verificar a área de imersão.

A aprendizagem das técnicas corretas e o treinamento podem tornar os saltos mais seguros. Porém, fica difícil quando não se tem parques próprios para a prática do canionismo no Brasil. Resta a repetição nas eventuais descidas de cânion, e somente naqueles em que essa oportunidade é viável, ou seja, a frequência de treinos é sempre insuficiente.

Quanto mais alto, mais aceleração, mais densa a superfície da água e maior a profundidade de imersão. Será mesmo? Quem salta de uma altura de três metros e toca o fundo na fase de imersão, pode saltar no mesmo local, partindo de uma altura de dez metros, ou se colocará em risco pela possibilidade de tocar o fundo com mais força?

Recorremos ao professor e físico Fernando Lang da Silveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sabendo que ele calculou a profundidade de imersão do canionista brasileiro Laso Schaller, após saltar de uma plataforma há 58 metros de altura. Segundo cálculos estimativos, nesse salto extremo o esportista chegou à lâmina d’agua com a velocidade de 123 km/h e imergiu cerca de 4 m, a contar dos pés. (https://www.youtube.com/watch?v=JAKLBJWKmQc).

Solicitamos então ao professor que esclarecesse a relação entre a altura do voo e a profundidade de imersão após o salto. Em resposta publicada no endereço https://www.if.ufrgs.br/novocref/?contact-pergunta=frenagem-em-meio-liquido-a-imersao-do-saltador-parece-quase-nao-depender-da-altura-de-queda, o professor Fernando afirmou que “o estancamento do projétil humano é quase independente da altura do salto”. Embora isso possa ser tranquilizador em relação ao impacto no fundo após a imersão, por outro lado, “isso pode ter uma consequência terrível para saltadores de grande altura: a força de arrasto pode produzir lesões sérias no saltador”.

Na questão mencionada acima, a velocidade de entrada na água de um salto a partir de três metros é aproximadamente 27,6 km/h e a partir de dez metros, 50,4 km/h. Significa quase o dobro da velocidade de entrada em choque com uma força contrária, impedindo uma penetração mais profunda para compensar o impacto. Em outras palavras, no salto a partir de dez metros, o(a) canionista provavelmente tocará o fundo de forma pouco diferente em relação ao salto anterior (três metros), mas se colocará em maior risco pela possibilidade de um choque inadequado.

O que chama a atenção, é que a cada metro acima o risco do impacto na água cresce exponencialmente, como se o líquido ficasse gradativamente mais sólido. A partir de determinadas alturas, talvez acima de oito metros, o impacto incorreto do corpo na lâmina d’água pode provocar a flexão involuntária das pernas, ampliando a área corporal de contato e expondo a coluna vertebral ao choque (cóccix). Nessas situações, contrair os glúteos forçando a junção das pernas pode assegurar a manutenção da postura ereta, indicada para a melhor penetração na água. Manter as pernas plenamente esticadas, muito comum noutro esporte, saltos ornamentais, também não seria indicado, pois além das diferenças de técnica e treinamento, pesa o fato de que o saltador desse esporte fica menos exposto ao impacto na coluna vertebral, quando aterriza nas pontas dos pés, sem botas.

Os capacetes também ajudam nessa hora, mas é bom lembrar que o rosto fica desprotegido, especialmente os olhos, e que há risco de impactos graves nessas partes. Em alguns casos, por exemplo, o saltador abaixa a cabeça no início do voo para olhar onde vai cair, provocando o giro transversal do corpo e o choque do rosto na água. Aqui, vale ressaltar que os capacetes sem vazão de água são inadequados, porque podem pressionar gravemente a carótida e a coluna cervical do saltador.

Ainda sobre a técnica, seguem algumas dicas: a posição correta de entrada na água é exatamente na vertical, pernas juntas (glúteos contraídos), braços cruzados no tórax, Joelhos semiflexionados, tocando a água com a sola dos pés; sobre a respiração, inspirar durante o voo e expirar pouco antes de tocar a água, continuando na fase de imersão, ajuda no bloqueio da entrada de água pelo nariz; alguns saltadores fazem esse bloqueio apertando o nariz com uma das mãos, mas é preciso que o cotovelo se mantenha junto ao corpo.

A sequência de um bom salto seria então: (1) verificar o local preliminarmente (incluindo a parte submersa usando óculos próprios – ver ausência de galhos, rochas etc); (2) posicionar-se em solo firme e não escorregadio; (3) levar uma das pernas à frente e saltar com a cabeça no prolongamento do corpo (é possível olhar para baixo mantendo razoavelmente esse prolongamento, sem abaixar a cabeça); (4) voar com o corpo em posição vertical, com as pernas juntas e semiflexionadas, glúteos contraídos e braços cruzados no torax; (5) submergir, evitando a entrada de água pelo nariz; (6) voltar à tona para respirar; (7) comunicar a equipe que está bem.

É importante lembrar que voltar à tona não é necessariamente o sinal de que deu tudo certo. Nem mesmo quando o(a) canionista olha para os(as) colegas, quer dizer que está bem. Uma pequena hipoxia, provocada pela entrada de água nas vias respiratórias baixas, pode impedir momentaneamente a respiração. Nessa hora, o(a) canionista não fala e não grita. É preciso desenvolver indicadores que demonstrem que o(a) saltador(a) concluiu adequadamente o salto para que se decida em poucos segundos pelo socorro ou não. Um tipo de sinal muito comum é o toque no capacete com o punho fechado, desde que, combinado em equipe.

Finalmente, cabe afirmar que na dúvida, o melhor é descer em corda ou desescalando. Nunca é demais ser conservador nessas horas.

Cánion BS Diamond
Foto: Sanner Moraes

Apoio Técnico: Staff Monitores Auxiliates GBCan

Revisão: Luiz Lo Sardo Neto

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Equalizações em ancoragens de progressão

No canionismo a falta de espaço nas chapeletas foi sempre um problema. Mesmo com as chapeletas de argola que possuem uma maior área útil esse problema persiste. A necessidade cria a solução, que nesse caso é muito simples e antiga: equalização. Adotando essa técnica evita-se o “bordel na ancoragem”, facilitando as manobras e agilizando o descenso. Contudo a equalização precisa respeitar os materiais que serão utilizados, os ângulos e eleger um modelo apropriado para cada situação.

As equalizações podem ser confeccionadas de várias formas

Dependendo da disposição dos pontos de ancoragem, as ancoragens podem ser naturais, artificiais e até mistas. Lembre-se que o ângulo das equalizações devem ser inferiores à 60°, outra observação é que as equalizações diminuem a altura das ancoragens, podendo dificultar o posicionamento dos praticantes ou até criar um fator de queda indesejado.

Quais materiais posso utilizar?

São inúmeras as opções, lembrando sempre da resistência mínima necessária, homologação e bom senso. Ex: anéis costurados de dyneema ou nylon, fita tubular, com corda dinâmica, corda semi-estática, SAR (sistema auxiliar de ancoragem), etc.

Os sistemas de ancoragens requerem sempre dois pontos de fixação

Isso também vale para a entrada e saída de corrimãos, fracionamentos e desvios com ângulos superiores a trinta graus.

Qual é a melhor ancoragem?

Conforme mencionado no início, as equalizações podem ser confeccionadas de várias maneiras e com diferentes materiais. Contudo, as formas ou maneiras devem ser escolhidas de acordo com a característica dos equipamentos disponíveis e configuração encontrada no local.

Os testes realizados pela DMM

A DMM Climbing realizou testes em junho de 2010 onde foi utilizada uma massa de 80 kg que foi submetida a quedas com fatores um e dois. Foram testados elos costurados de 120 cm de nylon e de 120 cm e 60 cm de Dyneema. Os resultados para as quedas de fator um foram:

  • Dyneema com 120 cm: +/- 21,5 kN
  • Nylon com 120 cm: +/- 12,5 kN
  • Dyneema com 120 cm e um nó aselha no meio da fita: +/- 11,5 kN
  • Nylon com 120 cm e um nó aselha no meio da fita: +/- 10,5 kN
  • Dyneema com 60 cm: +/- 16,7 kN

Porque essa diferença?

Dyneema é um material tão estático e resistente quanto um cabo de aço. Lembre-se que quanto maior a elasticidade de um material menor será esse impacto.

Um nó consegue amortecer uma parte da força de uma queda graças a alguma folga que tenha. O aperto que ocorre no nó durante o impacto ameniza o processo ao dissipar parte da energia presente.

Como estamos falando de uma material estático no caso do Dyneema, quanto maior a queda, maior será a aceleração, por consequência maior é o aumento da solicitação na ancoragem e maior o impacto tanto para a ancoragem quanto para o canionista que sofreu a queda.

Com base nos testes da DMM

Quanto mais estático é o material, maior deve ser a atenção para evitar ou amenizar os danos de uma eventual queda.

Um simples nó pode ser adicionado na equalização, o que já ajudará a amortecer esse impacto.

A folga de uma equalização dinâmica deve ser a menor possível, especialmente em se tratando de fitas com material estático pois, nesses casos, quanto menor o tamanho da equalização, menor a será a aceleração, portanto menor o impacto.

Juntando os pontos

Pelos motivos descritos acima, as equalizações dinâmicas de dois pontos simples, aquelas com uma volta para deixar o mosquetão dentro do elo (Magic X) não devem ser confeccionadas com elos de Dyneema. Para estes casos, quanto mais dinâmico o material utilizado melhor.

As equalizações estáticas ou semi-estáticas (mistas), confeccionadas com ou sem nós, com objetivo de amortecer o impacto, ajudando a absorção, são boas opções para materiais estáticos ou quase. Alguns exemplos de equalizações recomendadas: Double Loop Overhand, Magic X with limiter knots, The S.W.A.M.P., The Equalette, Double Sling, etc.

Equalização Dyneema
120 cm (Magic X)
Magic X with limiter knots
SAR
SAP 86° – Chapeletas 35 cm de distância

Por Luiz Lo Sardo Neto

Bibliografia:

Manuel Technique de Canyonisme 2019;

DMM Climbing https://dmmclimbing.com/Knowledge/June-2010/How-to-Break-Nylon-Dyneema%C2%AE-Slings – 2010 ;

SIET Scholl International 2016.

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Utilização de costuras no Canionismo:

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Freio Oito e História

Por: Luiz Lo Sardo Neto

Existem vestígios que comprovam o início do “canionismo moderno” entre os anos de 1960 e 1970, contudo a atividade decolou nos anos 80. Rapidamente rompeu as fronteiras da França, em seguida da Europa e assim ganhou o mundo. Aqui no Brasil o Canionismo foi apresentado em 1988, pelo espeleólogo e espeleorresgatista da CNSAS Giovanni Badino, em 1989 uma equipe de “canionistas” liderada por Carlos Zaith inicia oficialmente o moderno canionismo brasileiro.

Nos primórdios do esporte usávamos materiais e técnicas adaptadas. Lembro das botas de montanha e cargueiras com fundo de pvc, botas de mergulho (aquelas de neoprene), sistema de fusível no harnes (cortávamos esse elo, em caso de bloqueio ao chegar no poço). Rapidamente surgiram os primeiros equipos e as técnicas específicas. Com mochilas de pvc perfuradas, sistema debreável, cordas flutuantes – tipo c, precisávamos ver a corda boiando na recepção para ter certeza da chegada na água (pois é, marcávamos o meio também). A evolução foi enorme e nunca parou, porém, eu e alguns tantos amigos comentamos na época (abro aspas para isso) “O canionismo pode ser dividido em duas partes, a primeira antes do surgimento da Five-Ten 5.10 e o Freio Pirana e a segunda após”. Nos dias atuais chamamos esse divisor: old scholl e new scholl. A Five-Ten ganhou concorrentes e foi sendo aperfeiçoada, nossas botas propiciaram mais segurança, estabilidade e rapidez nos descensos. Porém a evolução dos freios é muito mais significativa, está relacionada com a própria técnica e com vários equipamentos utilizados por todos nós.

O Rapel é o nosso gesto vertical básico, o descensor é a cereja do bolo. Para nossa alegria, os projetistas desenvolveram uma enorme quantidade de freios para atividade, com o objetivo de melhorar o desempenho técnico, buscando aprimorar as qualidades. Todo iniciador ou incentivador tem seu descensor favorito, a internet e fabricantes bombardeiam o praticante com demonstração de técnicas avançadas. Nesse cenário o iniciante tem que encontrar de alguma forma seu descensor.

Voltando a divisão de águas:

Old Scholl: freio oito normal, porém, na época que eu utilizava esse descensor, as cordas eram de 10mm no mínimo, a maioria dos rapeis eram baixados em corda dupla. Nos dias atuais, grande parte dos praticantes utiliza cordas de 9mm, alguns de 8.5mm, muitos descensos são em corda simples. Esse tipo de descensor não permite adicionar ou subtrair freio (atrito corda no descensor) durante o descendo, as cordas utlilizadas atualmente são finas estão muito mais ligeiras.

Portanto a adição de atrito suplementar é quase obrigatória para esse tipo de freio. Existe duas possibilidades: vertaco ou reenvio, cada um tem uma indicação específica em relação ao descenso ou na utilização de corda simples ou dupla. Além disso, quando é utilizada passada cclássica, é dificil realizar a posição de parada e muito mais dificil fazer a chave de bloqueio e até mesmo manter a trava por eventual deslize. Se você possuir mais que 80 kilos, tenha atenção pois as dificuldades são maiores.

New Scholl:

São todos os descensores que o praticante se encorda, sem a retirar o dispositivo do mosquetão preso ao harnes. As exceções: SFD8 e Toten, pelo menos por enquanto.

Os novos descensores são polivalentes, tanto no descenso quanto para o sistema debreável na ancoragem. Na grande maioria das vezes a chave de bloqueio é de fácil execução, sendo possível acrescentar e retirar freio durante o descenso (corda tensionada sem abrir o mosquetão), rápido para se encordar, além disso é quase impossível perder seu dispositivo de descenso.

Contudo é necessário testar alguns descensores antes de adquirir e perder dinheiro por não se adaptar. Ler o manual antes de utilizar é mais que necessário, treinar em ambiente controlado antes de ir para o cânion é mais que recomendado. Caso já tenha feito a aquisição, sugiro conversar com pessoas que já possuem esse modelo, caso for participar de algum curso levar o manual, são tantos modelos que é muito difícil o professor conhecer ou lembrar dos detalhes de cada dispositivo.

Fonte do Gráfico: École Française de Canyon

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Definição Cotação do Cânion

DEFINIÇÃO DO SISTEMA DE COTAÇÃO

A cotação é válida para um descenso comum, correspondendo ao período habitual da prática, portanto em um nível normal, sem necessariamente estar muito baixo.
A cotaçao é calibrada para um grupo de cinco pessoas, em uma situação de descoberta do canyon (abertura) e cujo nível de prática está alinhado com o nível técnico do canyon. A abertura deve estar direcionada para uma prática usual e fundamentada, em prol da segurança e eficiência dos descensos (uma busca pessoal por maior ou menor  dificuldade não acrescentará ou dimunuiŕa em nada à classificação inicial).

Bons Descensos

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Comportamento dos Nós Artigo e Pesquisa

Em 2006 a FFS realizou centenas de testes sobre as cordas e nós utizados para elaboração de longes na espeleo.
Os resultados desses testes mostraram que, a melhor acomodação de um nó e suas voltas resultavam em uma “força de choque” menor, independente do FQ (entre 0.5 e 2). Nós encavalados mostraram resultado  inespresivo em relação ao aumento da força de choque final.
Outra surpresa foi o comportamento da spelégica, que só consegue romper as costuras e dissipar em FQ2, portanto, não é aconselhado seu uso. Uma queda em FQ 0.5 e 1 por exemplo, produz uma forca de choque superior em 2 vezes se comparado a uma corda dinâmica com nós de oito nas extremidades.
Outro ponto importante está relacionado ao uso de 2 pontas de longe de igual tamanho, em qq queda gera uma força de choque muito superior se comparada ao uso de apenas uma ponta da longe.
Segue abaixo pesquisa com comprovação matematica e visual de alguns testes e conceitos que a maioria dos espeleologos e canionistas já sabem ou deveriam saber…
Abraços, feliz e seguro 2020 pra nós!!

Luiz Lo Sardo Neto

 

Link pesquisa:

  1. http://news.mit.edu/2020/model-how-strong-knot-0102
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Expedição Zaith Maio

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  • Somente 10 vagas destinadas aos associados:
  • Efetue a inscrição (formulário abaixo), após receber a confirmação por email efetue o depósito;
  • Valor R$80,00 (Seguro Ecotrip + Supervisão da atividade.
  • Local de encontro/saída: Passos Mg 6:00 da manhã

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Ética, técnica ou apenas preferência por cânions aquáticos.

A discussão sobre a ética em relação a abertura e manutenção de vias na escalada é um assunto antigo. Acrescentar proteções para facilitar as progressões e diminuir o grau de dificuldade, é uma estratégia utilizada por esportistas com menor arrojo ou técnica ou por guias profissionais com objetivo de facilitar a subida dos clientes.
No Canionismo esse problema é ainda maior. Convívio entre esportistas com diferentes formações, técnicas e anseios, somados à pratica comercial e até turismo de massa, tornam a atividade um verdadeiro caos. Canionismo é muito diferente de fazer rapel em cachoeira, é necessário conhecimento multidisciplinar, entre elas: orientação, meteorologia, progressão vertical especifica, desescaladas e progressão aquática.
Os aberturistas, praticantes que descem o cânion pela primeira vez, através da técnica de progressão, podem elevar ou diminuir a dificuldade desse cânion. Formas de diminuir a dificuldade: instalar as proteções longe do curso d’água, fazer a instalação com saídas confortáveis, rapéis guiados, fazer o descenso durante os meses mais secos (inverno). Formas de elevar a dificuldade: instalações no curso d’água, instalações expostas, fracionamentos, instalar o mínimo de proteções, abrir esse cânion nos meses com maior caudal.
A disciplina aquática é realmente um “divisor de águas“ para a atividade. Considerada pela maioria dos canionistas a mais difícil, é responsável por grande parte dos acidentes. A cereja do bolo do esporte cria dificuldades praticamente em todo o percurso do cânion. São agrupadas em:
• Hidráulicas: os famosos movimentos d’água (refluxo, drosagem, marmitas, corrente principal, etc.). Todas as dificuldades que o praticante convive, imerso na água.
• Rapéis Aquáticos: necessidade de gestão na aproximação, descenso e recepção. As dificuldades que o praticante convive, com o uso de uma corda das mais variadas formas de ancoragens.

A escolha dos pontos de ancoragem e como irão ser instalados depende da experiencia durante as instalações e adoção de normas básicas de segurança. Padrões Internacionais definem dois pontos mínimos em ancoragens, fracionamentos, entrada e saída de corrimãos e desvios com ângulos superiores a 30°.
Acrescentar ou retirar proteções em cânions já abertos é a maior causa dos desentendimentos entre nós canionistas. Alguns esportistas podem realizar a abertura, visando um descenso mais técnico, por isso, as ancoragens apesar de seguir as normas internacionais de segurança, serão pontuais. Outros descensos podem ser igualmente técnicos, porém, com uma maior quantidade de proteções (geralmente corrimãos), destinados a descensos com maior caudal, efetuado entre os meses de outubro à março. Por outro lado praticantes que fazem seus descensos durante a época de menor caudal não irão necessitar de tantas proteções, porque esse descenso se torna fácil com menor necessidade técnica e pouca exposição. Ainda existem as instalações para a pratica comercial ou campo escola, essas proteções são instaladas geralmente longe do curso d’água, com maior conforto para os praticantes, etc.
Antes de alterar, acrescentar ou retirar uma proteção, peça as informações ao(s) aberturistas(s), verifique se as normas de segurança foram respeitadas(dois pontos), se foi realizada apenas a descida de abertura. Respeitar a maior ou menor técnica dos praticantes ou suas preferências é importante para o convívio. Somos apenas um pequeno grupo.

Luiz Lo Sardo Neto
Instrutor Canionismo
GBCan.

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Agenda Cursos 2018

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